Há momentos da nossa vida que deparamos com a sensação de inutilidade. Não estou falando de me sentir incapaz ou de me sentir pequeno... E sim daquele momento em que você buscou a sua vida inteira, se preparou e resguardou o seu melhor, além de estar disposto a pagar o preço que for por esse momento, esses sentimentos e emoções e mesmo assim a felicidade tão próxima se parece ainda mais distante. Triste é olhar esse momento como se nada pudesse ser feito. Por mais que eu pense, busque só chego ao limiar de um sonho desfeito... Talvez o sonho mais importante da minha vida. Mas não quero desistir, quero continuar. Continuar como? Desistir? Renunciar? Recusar? Seja o nome que se possa dar a essa esquisita sensação de recuar...
Olho a vida com olhos diferentes desta vez... Consigo ver. Mas não com tanta nitidez. Talvez as lágrimas que se acumulam nos meus olhos deixem a minha visão tão turva. Lágrimas que tento escurar para não demonstrar o meu real sentimento. Dor. Dor. Dor. Olho a minha face no espelho tentando ver aquele brilho de vida. Mas por hoje, ele não está lá... Me falta... A vida não deixou de fazer sentido, nem se tornou impossível. Mas hoje não quero sentido, quero apenas sentir... Sentir humano, incapaz de expor meus sentimentos, vivendo a inconstância do sentir, a complexidade e a contrariedade de estar vivo.
Procuro. Procuro sem parar caminhos para realizar meus sonhos e não vai ser porque o dia hoje está fechado que não continuar em frente. Só porque o dia está nublado, as estrelas deixaram de existir. Haverá sempre um novo amanhã... Por enquanto, aceito a minha condição humana e aceito a decepção de um sonho não realizado. Aceito esse turbilhão de sensações que me fazem perceber que algo não está bem comigo, é preciso mudar o curso e voltar ao meu caminho.
A estrada da vida às vezes se mostra tão difícil e tão árdua. Não pelos problemas. Mas por não lidarmos bem com os nossos sentimentos. Criamos pesos e fardos para os nossos sentimentos. Usamos a culpa, a incerteza e o medo para não nos darmos o direito de sentir, como se sentir fosse errado. Errado é acreditar que poderemos ser felizes sem sentir... A relatividade da vida, a subjetividade do sentido está diretamente ligada as nossas emoções.
As mesmas emoções que hoje fazem o sol por mais que brilhe se apague no horizonte, é a mesma que me ilumina diante da escuridão. O sentido hoje está confuso. Não nego. Mas reencontrarei nos meus próprios sentimentos o meu caminho. Vida que se segue, continua seu curso mesmo contra a nossa vontade.
O maior erro é silenciar os nossos sentimentos. Mesmo os mais óbvios tem o direito de virem à tona. Para que sufocar? Tentar esconder o que é legítimo, verdadeiro? Eles não vão deixar de existir assim. Serão apenas motivos de arrependimentos e dúvidas inquietando o espírito.
Mesmo triste não deixo de ser feliz por estar vivo.

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