Estou aqui olhando esse espaço em branco, imaginando quais os sentimentos aqui, no meu peito, se fazem presentes e quais externarei para marcar essa página. O que realmente eu quero dizer? Será que eu quero dizer algo? Se não, por que então sinto essa vontade de escrever? Não é vontade, é necessidade! Necessidade de colocar para fora inúmeras sensações que afligem meu pensar, meu querer e o meu gostar da vida.
É difícil aceitar que essa falta que me assola, se faz tão presente! Batalhei muito para chegar até aqui, passei por obstáculos, me superei, conquistei muitas coisas e de repente sinto que ainda me falta muita coisa. Fico feliz por ter chegado aqui, mas é como se ainda tivesse muito ainda para fazer. Mas fazer o que? Seguir por onde? Será que tenho que persistir nesse caminho ou é hora de me reinventar?
A única coisa que tenho certeza que cheguei naquele momento da minha vida em que eu tenho que escolher um caminho, não dá mais para deixar a vida me guiar... Ela me trouxe até aqui e agora é a minha vez de caminhar. Por que deixamos a insegurança invadir nosso ser? Agora é escolher e pronto! Mas e as consequencias? Não escolher também tem as suas consequencias! Não dá pra ficar parado, esperando as respostas caírem do céu...
Nunca me senti tão bem e mesmo assim deixo o medo do fracasso e da solidão impedir de aceitar a minha escolha, é realmente a escolha já foi tomada. Mas por que então eu não assumo? Qual a dificuldade em ser apenas o que sou? Chega de expectativas infundadas e inúteis... Pessoas que não imaginam o que acontece aqui dentro, querendo me dizer como eu devo me portar ou viver a minha vida! Não procuro o jeito certo de viver e sim o meu jeito de viver a vida.
Sou livre para viver a vida como eu quiser, arcando com todas as consequencias de ser livre. É engraçado dizer isso, mas observando o mundo em minha volta, cheguei a uma conclusão: a liberdade não passa de uma utopia. Já ouvi muitas pessoas dizerem que são livres, mas realmente o são? Vivemos em uma sociedade que todo mundo depende de todo mundo, mundo globalizado e sem fronteiras onde as interferências acontecem de todos os lados. Acontece algo na China e sentimos os reflexos aqui, a bolsa quebra e eu que ainda não investi nela pago o pato.
Estamos interligados, sufocados em uma sociedade superficial que quer se mostrar bem sucedida mas não passa de uma sociedade fajuta, falida e falsa. Onde mesmo que você queira dizer não, tem que balançar a cabeça pra dizer sim. Onde você está com vontade de chorar e mostrar um largo sorriso. Mas sempre em troca de alguma coisa, sempre interesse. Maldito interesse, porque as pessoas não podem se aproximarem ou se relacionarem simplesmente para dar mais sentido.
Relacionamentos amorosos permeado por interesse, não no outro. Mas naquilo que o outro pode te proporcionar. Será que a minha visão é apenas ilusão? Será que não existe outro tipo de relação? Só prazer e poder? Será que estamos a mercê do desejo alheio nas nossas capacidades ou nas possibilidades que podemos gerar? E o interesse de mostrar ou provar à sociedade que se é capaz, mas capaz de que? De viver uma conforme alguém diz que deve ser?
Amizades falsas e voláteis que duram menos tempo que a volta do ponteiro grande no relógio. O espaço de tempo necessário para extrair tudo que o “grande” amigo tem a oferecer, e depois simplesmente descarta. Sem a menor cerimônia, sem a menor culpa. Tudo assim simples, urgente e descartável.
Não se constroem mais relações de anos, amizades de infâncias, enfim amizade verdadeira. Pessoas que podemos confiar... para dizer a verdade a palavra confiança anda esquecida. Em quem confiar? Nos amigos que só lembram de você quando precisam? Ou aqueles momentâneos que nunca mais verá?
Não sou inocente, sei que o interesse vai sempre existir. Mas ainda acredito que a pessoa será muito mais do que apenas interesse. Temos muito para compartilhar, para dar e também para receber. Mas uma relação apenas por interesse que futuro tem? Quais os vínculos que podemos criar? Que valores podem ser construídos?
Todo ser humano tem interesse, não podemos negar. Mas podemos deixar o interesse em segundo plano, como se fosse algo que viesse por acréscimo. A disponibilidade de vivermos em conjunto respeitando a nossa individualidade, na troca de valores e favores, e também na sinceridade dos nossos sentimentos podemos transformar relações superficiais e algo muito mais significativo. É o que eu acredito.
Nenhum comentário:
Postar um comentário