segunda-feira, 12 de abril de 2010

Represa



Um dia percebemos que estamos no limite, a cabeça transborda, o coração preste a explodir, as emoções em ebulição ao ponto de não saber qual é qual, muita confusão misturada às duvidas e incertezas. E como se fossemos uma represa preste a romper...

Tudo porque você passa pelos seus sentimentos sem ter dado a mínima atenção, seja na tentativa de se entorpecer a dor ou até mesmo pela dúvida do que fazer... como eu queria que as coisas fossem diferente, mas como mudar? Como ter de volta aquilo que eu deixei escapar por entre os dedos?

Mesmo sabendo que tudo é responsabilidade minha, como fazer diferente? Como pensar em algo quando a cabeça não pára? Como fazer algo sem pensar? O que podemos esperar de uma represa que apresenta inúmeras fissuras e rachaduras? Mas por que então não arrebenta?

Sinto vontade de gritar, mas a voz não vem... Vem só a sensação de estar prestes a estourar, não consigo entender como aguentei guardar tudo isso! Só sei que o peito dói, os olhos ardem e nada do tormento virar lágrimas...

Decepções, desilusões, amargura, mágoas, dor, tristeza, dúvidas, incertezas, incapacidade, perda, erros lembranças, desejos, falsos momentos. Tudo que eu quero é diminuir essa pressão interna, acabar de vez com essa represa e com os sentimentos errantes que insistem em perturbar e atrapalhar meu novo rumo.

Não quero mais! Vou acabar com esta represa, nem que seja arregaçando as mangas e tirar pedra por pedra. Preciso recompor e restabelecer o rumo da minha vida... Preciso libertar as minhas sensações, desejos, dúvidas, emoções até aqui represadas.

Não suporto mais me segurar, por mais que eu queira acreditar não tenho mais força. Quer dizer força eu tenho, mas não quero mais! Quero me libertar da minha própria opressão e dos meus próprios fantasmas, entrego a minha vida ao acaso, ingrediente principal da vida...

Um dia ousei acreditar que controlava a vida, até ela me mostrar que não era bem assim. Nesse dia fechei os olhos para não ver, tampei os ouvidos para não ouvir e distanciei o coração para não sentir... e muitas vezes tentou me mostrar essa realidade mas eu não quis ver! Afinal tenho planos, sonhos e projetos! E será que se oprimindo, você conquista o controle da sua vida? Não!

Acredito que por mais que alteramos o curso do rio da vida, ele sempre vai chegar ao seu destino: o mar! E o mar nada mais é que o ambiente de abundâncias e possibilidades que qualquer um pode viver, assim que você desistir da sua visão míope e limitada que insiste em ter.

Deixe seu rio correr através das suas escolhas, escolha o que seu coração disser mesmo que isso possa ir de encontro com escolhas passadas. Uma vez escolhido não quer dizer, que não possa ser substituído ou mudado. Escolha o seu coração mesmo sob forte pressão... Te garanto que não chegará nem perto da insatisfação por não ter escolhido você.

Se solte das suas próprias escolhas, escolha diferente nem que seja uma vez só para ver o que pode acontecer! Mude nem que seja de canal, mude nem que seja por indecisão

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