terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Prezado Eu...




O que você escreveria numa carta endereçada a você? Se você tivesse a oportunidade de escrever uma correspondência para si próprio o que nela você colocaria?

Seus sonhos e desejos? Suas tristezas e angústias? Suas realizações e histórias? Ou seus sonhos e tristezas? Ou ainda seus desejos e angústias? Na verdade, a primeira coisa a ser observada é o propósito... Qual o seu propósito? É uma carta de amor, apoio, desabafo, cobrança ou esperança?

Eu começo levantando essas questões, mas meu intuito é apenas a reflexão que se faz necessária sempre que queremos mudar alguma coisa... Tem forma melhor do que escrevendo? Principalmente quando você dá liberdade à escrita, deixando o texto ganhando corpo facilmente a medida que a emoção contida se liberta, tem momentos que as palavras se unem formando um amontoado de letras sem sentido. Mas ao fim elas fazem todo o sentido!

Parece até como uma figura abstrata, mas se você der a devida atenção verá uma forma inusitada e inquestionável. É assim que você percebe a vida quando escreve para você... Quando lê a sua história da única pessoa capaz de evitar uma perda ou deturpação de detalhes... Outra coisa quem não gosta de receber uma carta? Porque nos sentimos importantes e amados, uma carta sua pra você mostra o que? Seu amor próprio, talvez... no mínimo uma auto relação consciente...

Uma carta escrita com sinceridade capaz de despertar do transe da loucura da vida cotidiana... Que nos afasta de nós mesmos e da nossa essência. Aviso aos interessados que a minha essência é de baunilha e a sua qual é? Mas não serve para massa de bolo. Ou serve? Mas se servir garanto um bolo no mínimo inesquecível... Nossa quanta modéstia. Mas se duvidar é só perguntar a quem experimentou! Se não foi doce, amargou. Mas indiferente....

Só mesmo uma carta própria para você ter coragem de escrever tamanha visão bucólica. Mas também podemos escrever nossos medos que temam corroer a nossa esperança... nos colocando refém muitas vezes de situações que não vão acontecer.

Temos medo da doença, violência, pobreza, da morte... Mas pior que tudo isso é não vivermos como realmente queremos e devemos para evitar esses sofrimentos. Mas existe sofrimento maior do que a decepção de não ter vivido?

Onde mais você colocaria seus questionamentos e suas respostas de forma clara e singular. Ou melhor quando você ia ler tanta coisa sobre você sem estar na defensiva, já elaborando respostas à altura?

Quantas palavras são necessárias para descrever um sorriso? E uma lágrima? E quantas são necessárias para se transformar em sorriso ou lágrimas ao invés de descrever? Será que precisamos de mais palavras ou de mais emoções? No fim o que importa é descobrir que mesmo em palavras o seu caráter é um só, mesmo parecendo muitos.

Só não esqueça ao fim da carta de falar o óbvio, porque mesmo subentendido o seu amor próprio não pode passar desapercebido!

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