Como é
bom relembrar os momentos e pessoas que de alguma forma marcaram a
nossa vida. Hoje o meu conceito de vida (meio filosófico é
claro...) é uma manta cheia de retalhos onde guardamos cada
marco vivenciado. Costurando tudo e damos o nome de nossa história.
Mas
relembrar também gera dor... seja por uma época que não
volta mais ou por alguém que se ama, partiu e não volta
mais... Já me disseram que o tempo cura, mas nem sempre é
assim porque a dor é latente... mesmo quando não dói
ela está ali a espera apenas de um momento de solidão.
Não
é questão de saudosismo, é a falta... a falta de
uma palavra, de um gesto, de um olhar ou/e de um toque. O pior é
não ter como preencher... é um vazio que clama e
reinvidica sem cessar... Palavras e gestos que vão se
acumulando a cada lembrança. Basta lembrar pequenas coisas
para alimentar grandes saudades. E com isso tomamos uma postura de
quem espera por uma “nova” oportunidade ou o tempo
retrocedesse... falsas esperanças.
Tem coisa
pior do que alimentar falsas esperanças? Viver dias e dias
esperando por algo que você sabe que não vai acontecer e
mesmo assim consciente disso você espera... mesmo sabendo que
você não deve esperar, você quer esperar...
Cada nova
palavra, cada novo gesto nos coloca frente a frente com o esse vazio
e o enorme buraco da alma... nos levando a reflexões de como
eu poderia ter aproveitado mais o convívio e a oportunidade
daquele momento e daquelas pessoas.
Palavras
que eu gostaria de dizer e não disse, gestos que eu adoraria
ter feito e não fiz, demonstrar como eu estava feliz e como
aquilo é importante pra mim... não gosto de colocar
situações que me aconteceram como passado porque de
alguma forma isso ainda faz parte de mim... o que seria do meu
presente senão fosse o meu passado...
Passado
que com toda a certeza eu poderia ter feito mais senão tivesse
medo dos meus sentimentos, de abrir meu coração...
lidar com meus sentimentos sempre foi um desafio... quantas vezes eu
quis gritar pelo meu amor, pelo meu desejo e pelo meu ardor e não
fiz por receio... quantas vezes me calei quando eu apenas queria
dizer o que sentia, o que sinto e o que sentirei...
Como
enfrentar os sentimentos que avassalam seu pensamento? Como ser
racional tomado pela paixão? Como não se perder nas
emoções? Como se manter coerente na conduta quando você
não quer ser coerente... Me diga que vida tem coerência,
quem não vive de contradições?
E
relembrar nada mais é do que reviver as contradições,
fantasiando como poderia ser diferente... como eu poderia ter
escrito a minha história de outra forma, mas infelizmente não
passa de um processo doloroso afinal o passado não pode ser
reescrito... não podemos evitar os acontecimentos da vida...
não podemos lutar contra a vida. Pode ter certeza que se
tivesse como lutar... eu já teria encontrado uma forma de voltar no
passado e consertar todos os meus erros... teria dito ou feito coisas
que pareciam insignificantes mas hoje são essenciais... e como
dizer ou fazer?
Ter a
certeza que você poderia ter feito mais é a pior dor que
podemos conviver... descobrir que uma simples palavra teria evitado
culpa, dor e remorso. Mas infelizmente descobri isso tarde demais e
ainda continuo querendo que o tempo volte... assim quem sabe eu
consiga aliviar meu coração.
A saudade
é sinal que vivemos momentos significantes e que com certeza
vamos levar por toda a nossa vida. A nossa experiência ninguém
tira, é nossa e pronto! Talvez o nosso maior tesouro, se
algumas vezes não viessem acompanhadas de dor...
Fico
revivendo na minha cabeça momentos que eu tinha tudo pra
dizer. Sabe quando todo o seu sentimento está cristalino e
basta abrir a boca que as palavras correm soltas e as lágrimas
também, me calei com vergonha de chorar ou pelo receio de ser
menosprezado. Posso dizer que hoje dentro de mim essas palavras ainda
ecoam e me machucam muito mais do que se tivesse chorado ou até
ter sido desprezado. Porque o pior desprezo é o próprio!
Tentar uma postura defensiva para evitar o sofrimento, só nos traz sofrimento... e um saudosismo ingrato que insiste em nos culpar pela nossa ausência... sim ausência de espirito... só uma culpa carrasca que não perdoa nada.
Mas como
a vida não pára e temos que continuar o nosso
caminho... então chego a conclusão que o passado não
posso mudar, mas posso usá-lo para fazer o meu presente
diferente e quem sabe construir um futuro melhor... mas com ou sem a
culpa continuarei construir um novo caminho.

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