domingo, 17 de janeiro de 2010

Saudade







Como é bom relembrar os momentos e pessoas que de alguma forma marcaram a nossa vida. Hoje o meu conceito de vida (meio filosófico é claro...) é uma manta cheia de retalhos onde guardamos cada marco vivenciado. Costurando tudo e damos o nome de nossa história.


Mas relembrar também gera dor... seja por uma época que não volta mais ou por alguém que se ama, partiu e não volta mais... Já me disseram que o tempo cura, mas nem sempre é assim porque a dor é latente... mesmo quando não dói ela está ali a espera apenas de um momento de solidão.


Não é questão de saudosismo, é a falta... a falta de uma palavra, de um gesto, de um olhar ou/e de um toque. O pior é não ter como preencher... é um vazio que clama e reinvidica sem cessar... Palavras e gestos que vão se acumulando a cada lembrança. Basta lembrar pequenas coisas para alimentar grandes saudades. E com isso tomamos uma postura de quem espera por uma “nova” oportunidade ou o tempo retrocedesse... falsas esperanças.


Tem coisa pior do que alimentar falsas esperanças? Viver dias e dias esperando por algo que você sabe que não vai acontecer e mesmo assim consciente disso você espera... mesmo sabendo que você não deve esperar, você quer esperar...


Cada nova palavra, cada novo gesto nos coloca frente a frente com o esse vazio e o enorme buraco da alma... nos levando a reflexões de como eu poderia ter aproveitado mais o convívio e a oportunidade daquele momento e daquelas pessoas.


Palavras que eu gostaria de dizer e não disse, gestos que eu adoraria ter feito e não fiz, demonstrar como eu estava feliz e como aquilo é importante pra mim... não gosto de colocar situações que me aconteceram como passado porque de alguma forma isso ainda faz parte de mim... o que seria do meu presente senão fosse o meu passado...


Passado que com toda a certeza eu poderia ter feito mais senão tivesse medo dos meus sentimentos, de abrir meu coração... lidar com meus sentimentos sempre foi um desafio... quantas vezes eu quis gritar pelo meu amor, pelo meu desejo e pelo meu ardor e não fiz por receio... quantas vezes me calei quando eu apenas queria dizer o que sentia, o que sinto e o que sentirei...


Como enfrentar os sentimentos que avassalam seu pensamento? Como ser racional tomado pela paixão? Como não se perder nas emoções? Como se manter coerente na conduta quando você não quer ser coerente... Me diga que vida tem coerência, quem não vive de contradições?


E relembrar nada mais é do que reviver as contradições, fantasiando como poderia ser diferente... como eu poderia ter escrito a minha história de outra forma, mas infelizmente não passa de um processo doloroso afinal o passado não pode ser reescrito... não podemos evitar os acontecimentos da vida... não podemos lutar contra a vida. Pode ter certeza que se tivesse como lutar... eu já teria encontrado uma forma de voltar no passado e consertar todos os meus erros... teria dito ou feito coisas que pareciam insignificantes mas hoje são essenciais... e como dizer ou fazer?


Ter a certeza que você poderia ter feito mais é a pior dor que podemos conviver... descobrir que uma simples palavra teria evitado culpa, dor e remorso. Mas infelizmente descobri isso tarde demais e ainda continuo querendo que o tempo volte... assim quem sabe eu consiga aliviar meu coração.


A saudade é sinal que vivemos momentos significantes e que com certeza vamos levar por toda a nossa vida. A nossa experiência ninguém tira, é nossa e pronto! Talvez o nosso maior tesouro, se algumas vezes não viessem acompanhadas de dor...

Fico revivendo na minha cabeça momentos que eu tinha tudo pra dizer. Sabe quando todo o seu sentimento está cristalino e basta abrir a boca que as palavras correm soltas e as lágrimas também, me calei com vergonha de chorar ou pelo receio de ser menosprezado. Posso dizer que hoje dentro de mim essas palavras ainda ecoam e me machucam muito mais do que se tivesse chorado ou até ter sido desprezado. Porque o pior desprezo é o próprio!

Tentar uma postura defensiva para evitar o sofrimento, só nos traz sofrimento... e um saudosismo ingrato que insiste em nos culpar pela nossa ausência... sim ausência de espirito... só uma culpa carrasca que não perdoa nada.

Mas como a vida não pára e temos que continuar o nosso caminho... então chego a conclusão que o passado não posso mudar, mas posso usá-lo para fazer o meu presente diferente e quem sabe construir um futuro melhor... mas com ou sem a culpa continuarei construir um novo caminho.






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